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Ansiedade e Gestalt-Terapia

  • Foto do escritor: Camila Lima
    Camila Lima
  • 23 de fev.
  • 3 min de leitura

Atualizado: 9 de mar.


A ansiedade é uma experiência profundamente humana. Em algum nível, todos já sentiram o coração acelerar diante de um desafio, a respiração encurtar antes de uma decisão importante ou a mente se agitar diante do desconhecido. No entanto, quando essa experiência se torna frequente, intensa e difícil de manejar, ela pode começar a afetar significativamente a qualidade de vida.


Um dos aspectos centrais da ansiedade é a tendência de viver constantemente no futuro. A mente está sempre alguns passos à frente: “E se isso acontecer?”, “E se eu não conseguir?”, “E se der errado?”. Enquanto isso, o presente, único tempo em que a vida realmente acontece, fica em segundo plano.


A mente ansiosa costuma funcionar como uma central de “prevenção de riscos”. Ela cria cenários, antecipa problemas, imagina falhas e tenta arquitetar soluções para todas as possibilidades. A intenção, em geral, é proteger. No entanto, esse excesso de previsões pode se transformar em um turbilhão mental exaustivo. A pessoa passa horas analisando situações, tentando encontrar garantias de que tudo dará certo, garantias que, na vida real, raramente existem.

Curiosamente, quanto mais a mente tenta resolver tudo antecipadamente, mais difícil pode se tornar agir. O excesso de pensamentos gera dúvida, medo e, muitas vezes, paralisação. A pessoa sente que precisa ter certeza absoluta antes de dar qualquer passo e como essa certeza não vem, acaba permanecendo imóvel.


Muitas pessoas que convivem com a ansiedade relatam um medo profundo de “perder o controle” ou que realmente já se percebem sem controle de si. Pode ser a sensação de que os pensamentos estão acelerados demais, de que as emoções estão intensas demais ou de que o próprio corpo não responde como deveria. Surge então o receio de não conseguir se conter, de literalmente não se controlar, de adoecer ou de não dar conta de si mesmo.


Na Gestalt Terapia, olhamos para essa experiência não como uma falha pessoal, mas como um sinal de que algo precisa ser reconhecido e acolhido. Em vez de lutar contra a sensação, trabalhamos para ampliar a consciência sobre o que está acontecendo no corpo, nos pensamentos e nas emoções, fortalecendo a capacidade de autorregulação e trabalhamos o desenvolvimento da awareness (consciência do aqui e agora). Isso significa ampliar a percepção das sensações corporais, das emoções e do ambiente no momento presente. Ao fortalecer essa presença, a pessoa passa a experimentar maior enraizamento e estabilidade interna, mantendo-se no presente.


Na perspectiva criada por Fritz Perls, pioneiro na Gestalt-Terapia, a ansiedade está intimamente relacionada à forma como nos afastamos do momento presente. É como se estivéssemos constantemente projetados no futuro, tentando prever, controlar e evitar aquilo que ainda nem aconteceu. Assim, buscamos compreender como esse movimento de antecipação afasta o indivíduo da experiência concreta do agora, alimentando ainda mais a insegurança. Convidando também, ao resgate das ações possíveis no presente. Pequenos movimentos, escolhas conscientes e experimentações ajudam a reconstruir a confiança em si mesmo. Ao invés de buscar controle total, aprende-se a sustentar a incerteza inerente à vida.


A ansiedade não é apenas mental , ela se manifesta intensamente no corpo. Taquicardia, sudorese, tremores, falta de ar, tontura, aperto no peito, tensão muscular e desconfortos gastrointestinais são alguns dos sintomas mais comuns. Durante uma crise, esses sinais podem ser assustadores, reforçando a sensação de perda de controle.

Na abordagem gestáltica, o corpo não é visto como inimigo, mas como parte fundamental da experiência. Aprender a reconhecer, nomear e sustentar essas sensações, sem imediatamente combatê-las ou fugir delas, é um passo importante no processo psicoterapêutico. Ao desenvolver uma relação mais consciente com o próprio corpo, a pessoa amplia sua capacidade de atravessar a crise com mais segurança.


A ansiedade não precisa ser enfrentada sozinha. A psicoterapia é um espaço de acolhimento, escuta e construção de novas possibilidades de relação consigo mesmo e com o mundo. Na Gestalt Terapia, o foco não está em eliminar emoções, mas em ampliar a consciência e fortalecer a capacidade de estar presente, fazendo escolhas mais alinhadas com quem você é.

Se você sente que a ansiedade tem limitado sua vida, buscar ajuda pode ser um gesto de cuidado e coragem. O caminho do autoconhecimento é também um caminho de reconexão com o agora e com a sua própria potência de viver com mais equilíbrio e autenticidade.


Você sente que precisa de um suporte mais próximo e especializado para aprender a lidar com a sua ansiedade?




 
 
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